Os 5 principais desafios em 2015 para condições de trabalho seguras e justas

 

 

Em 2015, identificamos cinco desafios que são prioritários para garantir condições de trabalho seguras e justas em nossa rede de fornecimento. Estas questões são complexas, e exigem uma abordagem sistêmica para compreender as causas e as possíveis soluções. Também são questões que requerem colaboração e diálogo para solucionar:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segurança Predial e Contra Incêndios

Saiba mais

newborn collection

Desafio 1 - Horas de Trabalho

Evitando horas excessivas de trabalho

 

Trabalhar mais de 60 horas por semana é o desafio mais comum para a indústria. Nosso Código de Conduta exige que todos os nossos fornecedores cumpram as leis nacionais, os acordos coletivos e os elementos importantes do código de Iniciativa de Comércio Ético (ICE) com relação ao máximo de horas de trabalho, pagamento de horas extras e dias de descanso.

 

Há situações em que trabalhar mais de 60 horas é aceitável em circunstâncias excepcionais e somente quando permitido pela lei nacional aplicável e pelos acordos coletivos, e são tomadas medidas para proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores. 

 

No entanto, reconhecemos que práticas de compra e fornecimento afetam o modo como nossos fornecedores planejam a produção e podem ter impactos significativos nas horas de trabalho. Muitas vezes descobrimos que muitos trabalhadores migram dentro de seu país de origem em busca de trabalho nas cidades, onde muitas vezes eles querem trabalhar mais horas para maximizar seu salário antes de voltarem para casa. Para complicar ainda mais, há casos em que a gestão da fábrica mantém dois registros para esconder as horas excessivas de trabalho. 

 

 

 

 

Corrigindo inconsistências e promovendo a capacitação de fornecedor

 

 

Lidar com essa realidade não é fácil. Ao longo dos últimos dois anos, enfatizamos a transparência com os nossos fornecedores e seus gestores de fábrica. Desenvolver a confiança em torno da transparência através de relacionamentos fortes com fornecedores é a chave para encontrar soluções em conjunto. No fim das contas, os nossos fornecedores devem usar sistemas confiáveis de registro de horas, onde todas as horas regulares, horas extras e pausas são controladas com precisão. Nossos auditores de SSC ajudam nossos fornecedores a entender esses requisitos e trabalhamos ativamente com os gestores das fábricas para garantir a transparência e a precisão desses registros.

Em 2016, vamos escolher três fornecedores estratégicos na China para participar de um programa piloto sobre horas excessivas de trabalho, com foco em um melhor planejamento. Vamos colaborar com outras marcas que também adquirem produtos desses fornecedores para melhorar os nossos compromissos de negócios, resultando em um melhor planejamento para eliminar as horas excessivas de trabalho. Como resultado deste trabalho, esses fornecedores vão criar metas e planos de ação para desenvolver um desempenho sustentável com relação às horas extras.

Tendo em vista que os trabalhadores querem maximizar seu salário, só é realista reduzir as horas de trabalho se os salários permanecerem iguais ou aumentarem. Isto significa que a fábrica vai precisar realizar melhorias na eficiência da produção e da produtividade para compensar as horas de trabalho reduzidas. Vamos trabalhar juntamente com os nossos fornecedores e suas fábricas para criar um ambiente que mantenha horas estáveis de trabalho. Com nossos aprendizados, vamos expandir o projeto para mais fornecedores estratégicos em outras regiões de produção. Leia sobre como estamos trabalhando com a ACT para aumentar o piso salarial da indústria de roupas.

 

 

newborn collection

Desafio 2 - Remuneração de Horas Extras

 

Mantendo a linha com relação às horas extras

Esperamos que os nossos fornecedores utilizem as horas extras com responsabilidade, sem solicitar horas extras de forma irregular e assegurando que foram realizadas de forma voluntária. Nosso Código de Conduta exige que os trabalhadores sejam remunerados ​​pelas horas extras em tempo hábil quando trabalharem mais de 48 horas. Em todos os momentos, eles devem permitir que os trabalhadores façam pausas, tirem um dia de folga a cada sete dias e usufruam os feriados legais. Os fornecedores também devem tomar as medidas necessárias para avaliar, mitigar e monitorar os riscos no local de trabalho, minimizando o risco de lesões especificamente relacionadas a longas jornadas de trabalho.

No entanto, reconhecemos que podemos inadvertidamente apoiar o excesso de horas extras por meio de nossas práticas de compras e de mudanças de última hora no projeto ou na produção. Isso nos obriga a ser muito diligentes com relação aos efeitos de nossas práticas de compras e também a trabalhar com nossos fornecedores e suas fábricas para enfatizar que, caso as horas extras sejam necessárias, elas devem atender aos nossos requisitos de pagamento.

Por muitos anos, exigimos que nossos fornecedores e suas fábricas remunerem os trabalhadores com salários que atendam ou excedam o valor mínimo legal e/ou os padrões de referência da indústria, o que for maior. Mesmo assim, não é raro descobrirmos que a remuneração adicional pelas horas extras não foi paga. Em alguns casos, os trabalhadores são remunerados pela produtividade — pelo número de peças produzidas, em vez de serem pagos por hora com um valor adicional.

Sempre que o salário é pago por peça, os fornecedores devem comprovar que esses pagamentos são pelo menos equivalentes ao salário mínimo. Isto é respaldado por uma política formal de salário e remuneração que é comunicada aos trabalhadores por meio de manuais, quadros de avisos, cartas, reuniões regulares ou outros meios. Eles também devem fornecer treinamento personalizado para todos os trabalhadores e subcontratados.

A remuneração de horas extras é parte do nosso projeto-piloto de horas excessivas de trabalho. Também estamos trabalhando em uma nova abordagem para avaliar o pagamento de horas extras nos fornecedores, auxiliando-os a estabelecer metas e a realizar melhorias contínuas nas práticas de pagamento.

ACT: Promovendo e testando métodos de salário digno

Os salários dos trabalhadores da indústria de roupas devem ser suficientes para satisfazer suas necessidades básicas, sustentar sua família e cobrir seus custos de vida. Tornar isto uma realidade em países que produzem roupas só poderá acontecer se as marcas e as varejistas trabalharem juntas. Por isso foi criada a iniciativa Action, Collaboration, Transformation (ACT) com diversos stakeholders. Como membro fundador, pretendemos participar ativamente na ACT, trabalhando com outras marcas e sindicatos internacionais de trabalho para reunir os stakeholders para melhorar as bases salariais através da negociação coletiva do setor nos principais países de produção, das normas de fabricação de nível mundial e da compra responsável para aumentar o piso salarial.

A ACT é uma coligação de 17 Marcas que se reuniram para estabelecer os Princípios Necessários para o salário digno. Nós assinamos um Memorando de Entendimento com a IndustriALL Global Union e estamos ativamente envolvidos em grupos de trabalho e pilotos de fábrica. Inicialmente financiado pela C&A Foundation, permanecemos ativos no grupo central de estratégia da iniciativa. Saiba mais sobre ACT aqui.

Três das fábricas de nossos fornecedores no Camboja estão atualmente realizando um projeto piloto com os princípios para desenvolver uma estratégia replicável e escalável, que possibilite a expansão para outras regiões de fornecimento, com o objetivo comum de capacitar os trabalhadores a negociar coletivamente. Em 2016, este programa vai se expandir para Myanmar.

 

 

image

A ACT é o exemplo perfeito de como, através somente da colaboração e entre stakeholders, podemos abordar questões fundamentais tais como a liberdade de associação, a negociação coletiva e até mesmo os salários dignos ao longo de toda rede de fornecimento.

Aleix Gonzalez Busquets, Head de Engajamento com os Stakeholders, C&A Global

newborn collection

Desafio 3 - Produção Não Autorizada

Focando na prevenção da produção não autorizada

 

A nossa equipe de SSC avalia que as novas unidades de produção cumprem os requisitos estabelecidos no nosso Código de Conduta. Exigimos que todos os novos fornecedores e suas fábricas estejam comprometidos com o nosso programa de auditoria antes do pedido ser realizado.

 

Infelizmente, um fornecedor ou o gestor de sua fábrica pode esconder detalhes das unidades de produção que eles usam — uma grave violação do nosso Código de Conduta.  Em todos os casos, os setores de SSC e de qualidade avaliam a situação e a unidade de produção não autorizada para assegurar que nenhum item de tolerância zero seja encontrado. Um fornecedor pode ser suspenso por 12 meses ou encerrado, dependendo dos resultados da investigação.

 

Em 2016, estamos implementando uma nova política de três chances, visando mitigar o risco de unidades de produção não autorizada. Se a produção não autorizada for confirmada e sua produção atender aos requisitos do nosso Código de Conduta e de nossas normas de qualidade, o fornecedor receberá a primeira advertência. O fornecedor será suspenso por 12 meses após a terceira advertência

 

Em todos os casos, se um item de tolerância zero for encontrado, o fornecedor será imediatamente suspenso por 12 meses.

 

Apesar do nosso compromisso de erradicar a subcontratação não autorizada em nossa rede de fornecimento, tivemos 24 casos em 2015 que foram corrigidos por sanções contra o fornecedor ou a fábrica. Não detectamos nenhum caso de trabalho não autorizado em residências no ano de 2015.

 

 

case-study

Entrada em novos países produtores como Myanmar: Avaliação de direitos humanos e outras normas

Nem sempre entramos em novos países produtores, mas quando o fazemos é essencial realizar uma análise completa de risco e avaliação dos direitos humanos. Esse processo ajuda a identificar os benefícios e riscos de produção no país. Caso riscos potenciais sejam identificados, investigamos se eles podem ser resolvidos com as nossas intervenções e se podemos impactar positivamente a situação.

Em 2015, começamos a trabalhar com fornecedores em Myanmar. Iniciamos nosso processo nos certificando de que os fornecedores eram confiáveis ​​e que tínhamos um relacionamento de longo prazo com eles.  Avaliamos suas fábricas com relação ao nosso novo Código de Conduta antes de realizar pedidos.

Para apoiar ainda mais nosso objetivo de aumentar nossa rede de fornecimento em Myanmar, também realizamos a avaliação dos direitos humanos com o nosso parceiro independente, a Deloitte. Os resultados desta avaliação e os aprendizados de outras marcas que entraram em Myanmar antes da C&A foram avaliados em conjunto com os resultados de um relatório recente da Oxfam, Made in Myanmar.  Nós também engajamos stakeholders locais, como o Myanmar Garment Manufacturers Association (MGMA), sindicatos locais e OIT (Organização Internacional do Trabalho), e abrimos as fábricas de nossos fornecedores ao SOMO para aprendermos ainda mais.

Esta informação coletiva e as relações que construímos no processo influenciam como expandiremos a produção em Myanmar, de forma segura e justa. Usaremos nosso aprendizado para desenvolver ainda mais o nosso processo de due diligence ao entrarmos em novos países de produção.

Visualizar PDF

newborn collection

Desafio 4 - Segurança Predial & Contra Incêndios

Indo além de Bangladesh - Capacitação em segurança predial, elétrica e contra incêndios

 

Em primeiro lugar, todos os trabalhadores têm direito a um ambiente de trabalho seguro e saudável. Em nosso Código de Conduta adaptamos as práticas e requisitos da construção civil, proteção contra incêndio e preparação para emergências que aprendemos em nosso trabalho com o Bangladesh Accord on Fire and Building Safety (Acordo de Bangladesh para Segurança Predial e Contra Incêndios). Aplicamos estas práticas e requisitos em todos os nossos países de produção - não só em Bangladesh.

 

Inspecionamos todas as nossas fábricas e exigimos que elas tenham toda a documentação legal à mão para edifícios em todas as áreas, incluindo dormitórios, refeitórios e armazéns. Tendo em vista que somos uma das primeiras Marcas a aplicar as normas aprendidas com a nossa experiência em Bangladesh, estamos trabalhando de perto com nossos fornecedores para compreender as implicações dos novos requisitos. Também os estamos auxiliando localmente para facilitar o processo em que a documentação legal pode ser igualmente substituída por meio de inspeções independentes de segurança predial em Bangladesh e em nossos outros países fornecedores. Além disso, aumentamos nossa capacitação para garantir que as fábricas de nossos fornecedores tenham as habilidades e ferramentas necessárias para implementar programas de segurança predial e contra incêndio e sistemas de gestão.

 

Os fornecedores da C&A também devem manter uma apólice de seguro adequada que compense e auxilie os trabalhadores por quaisquer danos, acidentes ou morte. Isto se aplica a todo o trabalho feito no local e deve também, quando estipulado pela lei, incluir empreiteiros, funcionários temporários e funcionários que trabalham meio período.

 

Desde 2015, implementamos práticas de segurança contra incêndio com base nas exigências do Acordo de Bangladesh. Estamos aplicando o que aprendemos em Bangladesh para todos os nossos fornecedores em todas as regiões de fornecimento. Tendo em vista que este é um requisito mais detalhado - e que requer maior accountability através do uso de portas certificadas resistentes ao fogo - muitos fornecedores ainda estão adquirindo e instalando essas portas nas saídas de emergência ou estão testando as portas resistentes ao fogo que já existem no local. Estamos ativamente capacitando e ajudando as unidades de produção do fornecedor com as melhorias necessárias em Bangladesh e em nossos outros países fornecedores.

 

 

O Acordo de Bangladesh: Melhorando a segurança predial e contra incêndios

Faz três anos que o Rana Plaza desmoronou em Bangladesh, um acidente que levou à morte de mais de 1.100 trabalhadores da indústria de roupas.

A C&A foi uma das primeiras marcas a assinar o Acordo e tem desempenhado um papel ativo desde 2012 no comitê diretivo. Trata-se de um acordo independente e juridicamente vinculativo entre as marcas e os sindicatos que foi projetado para trabalhar em prol de uma Indústria de Vestuário Pronto para Uso em Bangladesh mais segura e saudável. Sua finalidade é viabilizar um ambiente de trabalho em que nenhum trabalhador precise temer incêndios, desmoronamentos ou outros acidentes que podem ser evitados com medidas adequadas de saúde e segurança. O desempenho da remediação de ações corretivas de segurança predial e contra incêndios e as decisões do comitê diretivo podem ser encontrados no site do Acordo.

image

Estamos acelerando o ritmo e o nível de remediação em fábricas de nossos fornecedores. Até abril de 2016, o Acordo de Bangladesh inspecionou 1.660 fábricas e 1.453 planos de ação corretiva foram publicados. Desde 2013, todos os fornecedores da C&A de fábricas de corte e costura (140) foram inspecionados e planos de ação corretiva foram desenvolvidos para cada um. Nós levamos nosso papel muito a sério, empregando uma equipe forte em Bangladesh para apoiar a conclusão dos planos de ação corretiva e fornecendo conhecimento técnico de segurança elétrica, predial e contra incêndios.

Em abril de 2016, nossos registros internos indicaram que 83% dos 16.163 problemas identificados na auditoria inicial das 140 fábricas que operamos foram corrigidos. Reconhecemos que os dados oficiais do Acordo podem variar, uma vez que eles precisam verificar as ações corretivas antes que seus números gradualmente se alinhem aos nossos. Atualmente, estamos entre as principais marcas a investigar e concluir nossas correções.

Apoio adicional às vítimas do incêndio de Tazreen

 

Continuamos profundamente entristecidos pelas mortes e ferimentos causados ​​pelo trágico incêndio em novembro de 2012 na Tazreen Fashion em Bangladesh, uma fábrica que fornecia produtos para a C&A Brasil. Após o ocorrido, a C&A Foundation forneceu apoio financeiro imediato às famílias de todas as 112 pessoas mortas e estabeleceu um fundo para dar um auxílio contínuo aos 49 adultos dependentes. Junto com a Caritas Bangladesh, a C&A Foundation criou um programa de reabilitação para ajudar os sobreviventes a encontrar um novo caminho na vida.

Agora, a C&A, a C&A Foundation, a Clean Clothes Campaign e a IndustriALL Global Union, ofereceram mais apoio. Este novo processo de remuneração cobre a perda de renda e proporciona tratamento contínuo e avaliações médicas independentes. Ao final de 2015, o grupo lançou o Tazreen Claims Administration Trust para ajudar as vítimas e suas famílias a acessar o pagamento de forma justa e transparente. Um comitê diretivo, composto por grupos em Bangladesh que trabalham diretamente com as famílias afetadas, irá aconselhar o Trust com relação às reivindicações elegíveis. A C&A Foundation fez uma contribuição no valor de US$ 2,2 milhões e também está arcando com os custos administrativos contínuos.

newborn collection

Desafio 5 - Liberdade de associação

Viabilizando a organização dos trabalhadores e a negociação coletiva

 

Apoiar o direito dos trabalhadores de se organizar e negociar coletivamente é fundamental para a melhoria das condições de trabalho nos países de produção de roupas. A Liberdade de Associação continua a ser um importante foco de nossa estratégia para promover o diálogo entre o trabalhador e a gestão e para aumentar o desempenho das fábricas de nossos Fornecedores em todo o mundo. Em nosso Código de Conduta, exigimos que nossos fornecedores adotem uma atitude aberta e colaborativa com relação à representação dos trabalhadores, permitindo que estes criem ou se associem a sindicatos de sua própria escolha e permitindo a negociação coletiva.

Para apoiar nossos requisitos para fornecedores, estamos lançando um projeto piloto para explorar formas de criar um diálogo social entre os trabalhadores e a gestão em 2016.

Reconhecemos que há países como a China, em que a negociação coletiva é proibida por lei. Nestes casos, esperamos que nossos fornecedores ajudem os funcionários a estabelecer formas alternativas de representação dos trabalhadores e de negociação. Também esperamos que nossos fornecedores estabeleçam, implementem e comuniquem um mecanismo de reclamações que seja acessível, previsível, equitativo, transparente, compatível com os direitos, confidencial e com base no engajamento e diálogo para resolver disputas internas e reclamações dos funcionários. A liberdade de associação é testada como parte de nosso processo de auditoria e há tolerância zero com relação às violações.

 

Quando problemas de liberdade de associação são descobertos por meio de auditoria, de alegações do sindicato ou através do nosso Canal Aberto, tomamos medidas decisivas para trabalhar em conjunto com os stakeholders externos para resolver o problema e garantir a reintegração de todos os trabalhadores despedidos.

 

Em 2015, verificamos quatro casos de liberdade de associação, um na Turquia e três no Camboja. Em cada caso, nossa intervenção permitiu que as questões fossem resolvidas e os trabalhadores, remunerados.

 

 

C&A logo

You have arrived at the English language version of this site.